Instituto Rama · Saúde e desempenho no trabalho

O custo que não aparece na planilha

A conta do afastamento não começa quando alguém falta — começa antes, no presenteísmo, e continua depois, na reposição de quem sai. Esta é uma estimativa para dimensionar essa ordem de grandeza, com números que você ajusta à sua realidade. Não tem algum deles? Cada campo mostra como calcular.

Os números da sua operação

O cenário inicial é uma equipe pequena com remuneração próxima do piso — referências conservadoras de mercado, não um diagnóstico da sua empresa. Troque pelos seus números; use o passo a passo de cada campo se precisar montá-los.

R$
%
Não sabe a rotatividade? Veja como calcular
Rotatividade % = [(admissões + demissões) ÷ 2] ÷ efetivo médio × 100
efetivo médio = (nº no início do ano + nº no fim do ano) ÷ 2
15,0%saudável costuma ser 5–10% ao ano
%
Como montar o custo real de substituição
Custo por pessoa = recrutamento e seleção + rescisão + treinamento + curva de aprendizado
R$
R$
R$
R$
pessoas
Custo por substituiçãoR$ 17.100
Total gasto em substituições no anoR$ 51.300
50,0%equivalente em % do salário anual (R$ 34.200)

A curva de aprendizado costuma ser o item mais esquecido: uma pessoa nova leva alguns meses até render plenamente, e esse intervalo raramente entra na conta da substituição.

%
Não sabe o absenteísmo? Veja como calcular
Absenteísmo % = horas perdidas ÷ horas previstas × 100
horas previstas = nº de funcionários × horas/dia × dias úteis no período
Horas previstas no mês3.520 h
3,0%referência: ideal ≤ 1,5% · aceitável < 3%
%
Como estimar o presenteísmo
Presenteísmo % = % de pessoas afetadas × % de redução de produtividade quando afetadas
%
%
15,0%média Brasil ~32%; medição precisa via escalas SPS-6 / WHO-HPQ / WLQ

Sem uma pesquisa aplicada, comece por uma estimativa conservadora. O presenteísmo costuma superar o absenteísmo: a queda de rendimento aparece bem antes de qualquer registro no ponto.

Estimativa anual
R$ 174.420
cerca de R$ 15 mil por mês
Acima d'água — o que costuma ser medido
Absenteísmo
R$ 20.520
Abaixo d'água — o que raramente é medido
Presenteísmo
R$ 102.600
Rotatividade
R$ 51.300
Rotatividade3 pessoas/ano · 50% do salário anual
R$ 51.300
Presenteísmoprodução perdida com quem está presente
R$ 102.600
Absenteísmofolha paga por tempo não trabalhado
R$ 20.520
Estimativa por funcionário/ano
R$ 8.721
O outro lado da conta
A OMS estima que cada R$ 1 investido em saúde mental no trabalho retorna ~R$ 4 em produtividade. Reduzir só um terço do custo acima já significaria recuperar R$ 58.140 por ano.
Metodologia e fórmulas

Base de tudo — folha anual

Folha anual = nº de funcionários × salário mensal × 12. É sobre ela que incidem absenteísmo e presenteísmo. Informe no campo de salário o custo total por pessoa (salário + encargos): no regime CLT isso costuma ser 1,7 a 2× o salário nominal, e usar só o nominal subestima todas as parcelas.

Rotatividade

Custo = nº de funcionários × rotatividade% × salário anual × custo de substituição%.

Custo de substituição

Soma de recrutamento e seleção + rescisão + treinamento + curva de aprendizado, expressa em % do salário anual. A literatura (SHRM) situa esse total entre 50% e 200% do salário anual.

Absenteísmo

Custo = folha anual × absenteísmo%. Duas ressalvas honestas: faltas injustificadas podem ser descontadas, e no afastamento acima de 15 dias o benefício passa a ser pago pelo INSS — nesses casos a empresa não arca com o salário, mas continua arcando com encargos, cobertura, hora extra de quem cobre e reintegração na volta. A parcela do absenteísmo é, portanto, uma aproximação por cima do salário e por baixo do custo operacional real.

Presenteísmo

Custo = folha anual × presenteísmo%. O percentual é estimado por % de afetados × % de redução de produtividade — proxy das escalas validadas SPS-6, WHO-HPQ e WLQ. A média brasileira fica em torno de 32%; o padrão desta calculadora é 15%, deliberadamente conservador — mesmo pela metade da média, a parcela invisível já supera a visível.

O que esta conta NÃO faz

Não separa a rotatividade desejável da indesejável, não desconta a sobreposição entre quem faltou e quem saiu, e não tenta precificar o que é mais caro de todos: reputação de marca empregadora, conhecimento que vai embora junto com a pessoa e passivo trabalhista. Em todos esses pontos ela erra para menos.

Estimativa para apoiar a conversa, não um laudo contábil nem um diagnóstico da sua empresa. Todos os parâmetros são ajustáveis, e a leitura que importa é a proporção entre as três parcelas — não o valor absoluto.

Instituto Rama

Fontes: Fórmula de turnover e absenteísmo — práticas consolidadas de RH (Convenia, Solides). Presenteísmo — SPS-6 / WHO-HPQ / WLQ; média Brasil ~32%. Custo de substituição 50–200% do salário (SHRM). ROI 1:4 e produtividade (OMS/Deloitte). Contexto: 546.254 afastamentos por transtornos mentais em 2025 (Min. da Previdência).

Sobre a NR-1: o gerenciamento dos riscos psicossociais é obrigatório desde 26/05/2026 (Portarias MTE 1.419/2024 e 765/2025) e segue valendo. Em 25/06/2026, na ADPF 1.316, o STF suspendeu por 90 dias apenas a eficácia sancionatória de cinco dispositivos do capítulo 1.5 — a obrigação de gerenciar permanece, a fiscalização continua em caráter orientativo e o referendo do Plenário está previsto para agosto de 2026. Na prática, é uma janela para estruturar o programa com calma, não uma dispensa. Verifique o estado atual da decisão antes de tomar qualquer providência com base nesta nota.