Rama calcula

Datação e estratificação de risco do pré-natal

Datação da gestação por DUM ou por ultrassonografia e avaliação da consulta de pré-natal na atenção primária. A ferramenta identifica as comorbidades, os antecedentes e as intercorrências que deslocam a gestante do risco habitual — apontando quando o cuidado passa a ser compartilhado, quando cabe encaminhamento ao alto risco e quando a situação é de urgência obstétrica. Junto disso, devolve os exames do trimestre, o rastreamento de diabetes gestacional, a suplementação, as vacinas devidas hoje e o calendário de retorno, conforme o Caderno de Atenção Básica nº 32 (MS, 2013), o consenso de rastreamento de DMG (OPAS/MS/FEBRASGO/SBD, 2017) e o Calendário Nacional de Vacinação da Gestante (PNI/MS, julho/2025).

Dados da consulta

Valores iniciais são um cenário típico. Ajuste aos dados reais.

anos
Datação da gestação

Informe a data desta consulta.

A conduta abaixo usa a idade gestacional manual — 12 semanas — enquanto a datação acima não puder ser calculada.

sem
d
Pressão arterial nesta consulta aferida após ≥ 5 min de repouso, sentada
Fator Rh materno
Rastreamento de diabetes gestacional deixe em 0 o que ainda não foi feito
mg/dL
Resultado do TOTG 75 g
mg/dL
mg/dL
mg/dL
Situação vacinal

Dupla adulto (dT) — esquema ao longo da vida

Hepatite B

Fatores, antecedentes e intercorrências
Condições clínicas prévias à gestação
Condições individuais e sociodemográficas
História reprodutiva anterior
Intercorrências na gestação atual
Sinais de urgência / emergência obstétrica
Risco para pré-eclâmpsia — indicação de AAS

Obesidade, idade e os fatores já marcados acima entram sozinhos nesta conta. Marque aqui só o que falta.

Estratificação
Risco habitual
IG não definida

Pré-natal pela equipe da atenção primária.

Sem fatores de risco assinalados

Apoio à decisão clínica. Não substitui a avaliação da paciente nem o julgamento profissional. Confira doses, indicações e contraindicações na diretriz vigente antes de qualquer conduta — cada item traz a fonte que o embasa no rodapé de metodologia da página.

Diabetes gestacional — Rastreamento não iniciado1
  • Glicemia de jejum — solicitar imediatamente
    Pré-natal iniciado antes de 20 semanas: glicemia de jejum de imediato, para diagnóstico de DMG e de diabetes diagnosticado na gestação.
Exames a solicitar13
  • Hemograma
  • Tipagem sanguínea e fator Rh
  • Glicemia em jejum
  • Teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL/RPR
  • Anti-HIV
    teste rápido e/ou sorologia. Recomendado na 1ª consulta e no 3º trimestre (grau de recomendação A)
  • HTLV
    sorologia, uma vez por gestação, na primeira consulta
  • Toxoplasmose IgM e IgG
  • Sorologia para hepatite B (HBsAg)
    se negativo e sem história de vacinação prévia, recomenda-se vacinar (grau de recomendação A)
  • Urocultura + urina tipo I
  • Ultrassonografia obstétrica
    na ausência de indicação específica, a época ideal é entre 16 e 20 semanas; não há dado que sustente a solicitação como rotina (grau de recomendação A)
  • Citopatológico de colo de útero
    se for necessário
  • Exame da secreção vaginal
    se houver indicação clínica
  • Parasitológico de fezes
    se houver indicação clínica
Fator Rh, Coombs e imunoprofilaxia anti-D1
  • Coombs indireto não indicado
    a pesquisa de anti-D e a imunoprofilaxia se aplicam à gestante Rh negativo.
Suplementação e profilaxia5
  • Ferro elementar 40 mg/dia (200 mg de sulfato ferroso)
    ingestão 1 hora antes das refeições. Manter no pós-parto e no pós-aborto por 3 meses. Programa Nacional de Suplementação de Ferro, Portaria MS nº 730/2005.
  • Ácido fólico
    efeito protetor forte contra defeitos abertos do tubo neural. Uso rotineiro de pelo menos 2 meses antes da concepção e nos 2 primeiros meses de gestação (grau de recomendação A).
  • Carbonato de cálcio — iniciar na 16ª semana
    1250 mg, 2 comprimidos/dia, da 16ª à 36ª semana, para prevenção de pré-eclâmpsia.
  • AAS não indicado pelos fatores assinalados
    a profilaxia se indica com 1 fator de alto risco ou 2 moderados.
  • Vitamina A — não suplementar no pré-natal
    a megadose de 200.000 UI é restrita à puérpera no pós-parto imediato, ainda na maternidade, e apenas nas áreas endêmicas (Nordeste e norte de Minas Gerais). Fora disso, não suplementar, pelo risco de teratogenicidade.
Vacinas4
  • dTpa — programar para a 20ª semana
    1 dose a cada gestação, a partir da 20ª semana de gestação.
  • Influenza — aplicar
    1 dose a cada gestação, em qualquer período gestacional. Disponibilizada na rede durante a campanha anual.
  • COVID-19 — aplicar
    1 dose a cada gestação.
  • dT — não é necessário vacinar
    esquema completo com última dose há menos de 5 anos.
Próximo retorno e plano7
  • Retorno mensal
    calendário até a 28ª semana. Mínimo de 6 consultas no pré-natal, com acompanhamento intercalado entre médico e enfermeiro.
  • Na 20ª semana: aplicar dTpa
    1 dose a cada gestação, a partir da 20ª semana.
  • Entre 24 e 28 semanas: TOTG 75 g
    janela do rastreamento de diabetes gestacional.
  • A partir de 28 semanas: exames do 3º trimestre
    hemograma, glicemia de jejum, VDRL, anti-HIV, HBsAg e urocultura com urina tipo I.
  • Entre 35 e 37 semanas: coletar swab para estreptococo do grupo B
    material do terço distal da vagina e retal. Atenção: o Caderno 32 (2013) recomendava não rastrear o EGB de rotina — esta programação segue protocolo mais recente. Conferir o protocolo local.
  • A partir de 37 semanas: bacterioscopia de secreção vaginal
  • Não existe alta do pré-natal antes do parto
    o acompanhamento só se encerra após o 42º dia de puerpério, quando a consulta puerperal deve ter sido realizada.
Orientações à gestante — para registro em prontuário9
  • Oriento procurar a maternidade ou acionar o SAMU 192 se sangramento, perda de líquido, redução dos movimentos fetais, febre, cefaleia com escotomas ou dor epigástrica; antes de 36 semanas, também se contrações regulares.
  • Oriento evitar carnes cruas ou mal passadas, embutidos e laticínios não pasteurizados; lavar as mãos, frutas, legumes e verduras.
  • Oriento evitar contato com solo, terra e fezes de gato; se necessário, usar luvas.
  • Oriento fracionar a alimentação em 3 refeições e 2 lanches e ingerir 2 litros de água por dia.
  • Oriento manter sulfato ferroso 200 mg/dia (40 mg de ferro elementar), 1 hora antes das refeições.
  • Oriento manter ácido fólico até o 2º mês de gestação.
  • Atualizo as vacinas pendentes conforme o calendário da gestante e registro no cartão.
  • Oriento retorno em 4 semanas; sem alta do pré-natal até a consulta puerperal, no 42º dia.
  • Oriento trazer o cartão da gestante em todos os atendimentos.
Não são rastreios de rotina5
  • Vaginose bacteriana assintomática
    não deve ser oferecido — identificar e tratar não reduz o risco de parto prematuro (grau de recomendação A)
  • Chlamydia trachomatis assintomática
    não deve ser realizado — evidência insuficiente de efetividade e custo-efetividade (grau de recomendação A)
  • Citomegalovírus
    a evidência disponível não embasa o rastreamento de rotina
  • Vírus da hepatite C
    evidência insuficiente como rastreamento de rotina (grau de recomendação C). Solicitar em alto risco: drogas injetáveis, parceiro usuário, transfusões ou múltiplos parceiros.
  • Rubéola
    oferecer para identificar mulheres em risco e possibilitar a vacinação no pós-natal, protegendo gestações futuras (grau de recomendação B)
Instituto Rama

Apoio à decisão clínica. Não substitui a avaliação da paciente nem o julgamento profissional. Confira doses, indicações e contraindicações na diretriz vigente antes de qualquer conduta — cada item da conduta traz a fonte que o embasa nas referências abaixo.

Fontes: Caderno de Atenção Básica nº 32 — Atenção ao Pré-Natal de Baixo Risco. Ministério da Saúde, 1ª edição revista, Brasília, 2013 — calendário de consultas, exames de rotina, suplementos, vacinação e critérios de encaminhamento. Calendário Nacional de Vacinação da Gestante. PNI/MS, versão julho/2025. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil. OPAS/MS/FEBRASGO/SBD, 2017 — rastreamento de DMG (estratégias com e sem TOTG disponível). Protocolo de Pré-Natal com Risco Habitual. SMS São Paulo, atualização de 28/04/2023 — swab de estreptococo do grupo B e profilaxia de pré-eclâmpsia com AAS. Linha Guia de Atenção Materno Infantil do Paraná, Volume I — Gestação. SESA-PR, Deliberação CIB/PR nº 24 de 03/03/2021 — referência regional citada na metodologia.

Reconfira a vigência antes de cada uso clínico — diretrizes mudam. O Caderno 32 é de 2013 e, em pontos específicos, já foi superado por normas posteriores: a vacinação segue o calendário do PNI de 2025, e o rastreamento de diabetes gestacional segue o consenso de 2017 (o corte de 85 mg/dL do Caderno 32 não é usado aqui). O Caderno 32 (2013) recomenda não rastrear o estreptococo do grupo B de rotina; esta ferramenta programa a coleta entre 35 e 37 semanas seguindo o protocolo mais recente de São Paulo (2023) — confira o protocolo local antes de adotar.

Escopo. A ferramenta avalia a gestante em qualquer estrato e aponta o nível de atenção adequado a cada momento; a rotina que devolve (exames, suplementação, vacinas, calendário) é a do pré-natal conduzido na atenção primária. O manejo próprio do alto risco não está aqui — é sinalizado, não detalhado. No diabetes gestacional, faz o rastreamento e o diagnóstico; o tratamento e a conduta obstétrica ficam fora do escopo.